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Na fronteira com a arte

Ponto de parada obrigatório para os amantes do design art - ou em outras palavras, de móveis e objetos criados como manifestação artística - a mostra Design Miami, que acontece a anualmente na capital da Flórida, se consolida, a cada ano, como a mais representativa das mostras internacionais voltadas para o segmento.

Estrutura do Miami District, assinada por Aranda Lasch

Tendo como pano de fundo a Art Basel, filial americana da célebre mostra européia, é para ela que a Design Miami mira sua bússola. E encontra seu norte. De fato, em nenhum outro lugar do planeta é possível se encontrar hoje tamanha concentração de galerias de peso, dos cinco continentes, abrigadas sob um mesmo teto.

Eleito designer do ano, o holandês Maarten Baas é talvez o profissional que melhor sintetiza o espírito da feira. Rebelde e pouco afeito a convenções, Bass não se incomoda em, literalmente, carbonizar clássicos do design como as estantes Memphis. Mais próxima do objeto artístico, do que da linha de produção, assim é sua linha Smoke, para a Moos.

Por si só uma obra de design, a estrutura articulada, montada no Miami District para abrigar o evento, assinada pelo escritório norte-americano Aranda/Lasch, a partir de faixas horizontais de tecido cinza chumbo, acentuou a atmosfera de cauteloso otimismo que caracterizou a mostra este ano, refletindo o momento pós-crise internacional.

Pendentes com fios elétricos
por Kwango Lee

Design Atelier Oi Danseuses

Poltrona e Candelabro da
linha Smoke de Maarten Baas

Via de regra, o móvel, na quarta edição da Design Miami se revela em estado bruto, desprovido de qualquer vestígio de ornamentação. Que o diga, por exemplo, o inglês Tom Dixon, um adepto incondicional da cor em suas coleções, mas abertamente rústico, quase rudimentar em seus candelabros, talhados à mão, apresentados por uma galeria suiça.

Como eles, os objetos em exposição falavam um vocabulário mais contido, circunspecto, menos efusivo. Caso dos longos pendentes elaborados com fios elétricos por Kwango Lee, ou ainda da coleção de mega móveis escavados em poliestireno, por Max Lamb: um dos designers mais instigantes e promissores da nova geração do design britânico.


Mitterrand Cramer

Outro dos destaques, os lustres giratórios com cúpulas em tecido criados pelo Ateliê Oi para a Miterrand Cramer, explorararam, com sucesso, o conceito de arte cinética aplicada ao desenho dos equipamentos domésticos. Enquanto os armários do Studio Job, também na Miterrand, com seus tampos cadavéricos respondiam pelo clima irônico da galeria.

"O desafio hoje é pensar de uma forma abrangente a arquitetura, o design e a arte", declara o designer Yael Mer, do grupo Rawedges, um dos estúdios comissionados pelo Design Miami para criar instalações tridimensionais para a mostra. E, de fato, ele parece ter razão: a julgar pelo apresentado em Miami 2009, o vínculo nunca foi tão estreito.


Marcelo Lima

Arquiteto formado pela FAUUSP, atua há quinze anos como jornalista nas áreas de design e decoração. Atualmente é colunista do suplemento Casa &, do jornal O Estado de São Paulo, onde realiza a cobertura das semanas de Design de Milão e Londres e assina o blog Milanesas. Como conferencista, tem proferido palestras no Brasil e no exterior, sobre temas ligados à atualidade do design.